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Gestão do Espaço e do Tempo nas Aprendizagens: algumas reflexões

 

A sala de aula apresenta-se como o local privilegiado da actividade de qualquer turma. Daí que, a organização e gestão do espaço, constitua um factor importante a ter em conta para a implementação de uma pedagogia que contemple a pluralidade das aprendizagens, pois a “forma como o professor os considera, constitui por si só, uma mensagem curricular que é, em si mesma, significativa para os alunos e para o próprio professor.” (Miguel Zabalza, 1993:147)[1]

A organização da sala de aula está assim relacionada com o tipo de relação que o professor constrói com os alunos, bem como a dinâmica que pretende desenvolver com os mesmos. Para que o espaço seja rentabilizado, é importante colocar materiais diversificados em sítios estratégicos, ou seja, criar áreas específicas para certas actividades, como a pintura, a leitura, a matemática, as expressões..., entre outras.

 

 

A implementação destas áreas, tal como Meireu (1992) salienta “não podem funcionar sem a existência de regras que devem ser instituídas na turma, quer sobre a utilização dos materiais, quer sobre as deslocações  na sala, sobre o uso da palavra, etc... Estas regras devem ser claramente explicadas ou mesmo negociadas” (Citado em Júlio Pires , 1996, p. 60)[1] de forma a permitir o bom funcionamento da sala.

O que fica determinado deve ser registado num “mapa de tarefas diárias”, passando este a ser orientador do trabalho de cada um. Periodicamente deve ser feita uma avaliação acerca de como as tarefas vão sendo executadas e, se necessário, feitos reajustamentos ou até mesmo incluídas novas funções.

No que diz respeito ao material educativo, é necessário reunir todo um conjunto de outros recursos (ficheiros de matemática, de problemas, de língua portuguesa, estudo do meio, livros de histórias, banda desenhada, entre outros) que, uma vez colocados nos espaços criados para as diferentes áreas de apoio ao programa, permitam aos principais actores, realizar aprendizagens e consolidações cada vez  mais autonomamente.

A colocação de folhas de registo de utilização para cada ficheiro na respectiva área, permite analisar mais pontualmente o nível de produções dos alunos assim como verificar quais as áreas e tipo de actividades e de ficheiros mais utilizadas por eles durante o seu Tempo de Estudo Autónomo.

É igualmente importante que, sempre que se introduza um novo material de trabalho,  se  explique previamente aos alunos a sua finalidade e a melhor forma de trabalhar com ele.

Esta negociação com os alunos passa pela planificação conjunta do que podem realizar (Plano do Dia -por ex.) de modo a que a gestão do tempo seja feita de uma forma mais articulada e envolvente. Para isso é importante que o docente, estruture a aula de modo a que os seus alunos saibam sempre o que fazer, como fazê-lo e quando, valorizando os objectivos escolares que se pretendem atingir.

Como se pode constatar, o tempo e o espaço são dois dos recursos mais importantes que se destacam no sucesso do ensino e por esse motivo, cada professor deve planeá-los com alguma antecipação e particular atenção, uma vez que o uso do tempo e do espaço estão relacionados entre si e à volta das tarefas de aprendizagem.


[1] PIRES, Júlio - Práticas de Planificações na Escola Moderna. Lisboa: I.P.C.E., 1996. p.54-65


[2] RICHARD, Arends - Aprender a Ensinar. McGraw-Hill de Portugal Lda, 1995. ISBN 972-9245-75-9

 

 

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